De tempos em tempos os vários meios de comunicação lembram-se de evidenciar a falta de segurança na internet, os seus variadíssimos perigos inerentes e a sua semelhança com um monstro multicéfalo que come criancinhas. Mas a net não é o perigo em potencial que alimenta jornais na falta de outras notícias bombásticas, ou pelo menos não é mais perigosa que o resto do mundo em geral, assim como também não o é menos. É simplesmente muito diferente e por isso constitui o desconhecido.
#
A internet é um mundo novo com muito para explorar. Ainda é um planeta quadrado, no centro do universo, com muitos perigos, é certo, mas também com imenso potencial de se tornar no mundo perfeito. Na internet não há altos, nem baixos, não há gordos, ninguém tem o colesterol elevado, nem os dentes tortos e nunca acorda com um cabelo miserável e impossível de pentear. A internet é o que nós quisermos que seja e o que nós quisermos ser. É uma nova forma de política; de economia; de vida, onde todos podem falar e todos podem ouvir, bem, mal, com e sem exageros, às vezes errados, outras certos e onde existem muitas ideias que nem sempre são o melhor para as mentes mais frágeis e mais permeáveis.
#
Mas o medo está no desconhecido: quem não está à vontade na net receia o que daí possa advir, da mesma forma como quem não sabe nadar, nunca está muito à vontade dentro de água. É preciso navegar por esta rede e descobrir novos caminhos marítimos para a Índia, para a América, para a China e para todos os outros locais físicos e virtuais, para perder o medo e saber distinguir o bom e o mau, separar o certo do errado. #
A internet está a tornar-se numa nova forma de vida e cada um de nós é uma célula que faz funcionar o bicho novo. #
Na ficção o Dr. Frankeinstein conseguiu, sozinho, criar vida. Nós, no mundo real estamos a conseguir, todos juntos, criar um novo ser. Será um monstro?... #
#