Esta semana falou-se em Magalhães. Não no navegador português ao serviço de Castela, que circum-navegou o planeta, mas no computador português (?) ao serviço da propaganda. #
Na verdade o computador é tão português como um carro montado na autoeuropa, as peças feitas um pouco por todo o lado, a montagem portuguesa e um conceito muito americano. Mas o nome nacional cai que nem ginjas aos principais apostadores do empreendimento, a empresa que quer vender no mercado nacional (e arranjou um grande freguês no nosso governo) e um poder executivo doidinho por mostrar obra. #
O computador é para ser barato. Tão barato que alguns nem precisam pagar por ele, os mais carenciados podem levar Magalhães para casa a custo zero e só têm de pagar o acesso à rede. Ora se a ligação à Internet for igual a uns outros computadores "oferecidos", a pouco mais de uma centena de euros, a estudantes, então a ligação - e o próprio Magalhães - vai ficar cara e fora do alcance de muitos dos desfavorecidos. O que até pode não ser assim tão mau. Como foi logo descoberto pela comunicação social, o filtro do computador que impede as criancinhas de passear por sites porno-eróticos não funciona muito bem. Mas temos de ser justos, não existem filtros suficientes para travar a curiosidade das criancinhas em explorar um novo brinquedo, principalmente quando a televisão reportou de imediato que uma pesquisa com a palavra "gatas" devolvia uns quantos sites mais "marotos". As criancinhas estavam atentas! #
"Para que não existam infoexcluídos" (cito de memória o nosso Primeiro), vamos espalhar uns quantos computadores pelo país, três meses antes do Natal. Espalhar educação e saúde é que não. #
Tudo isto me faz lembrar certas políticas sociais de facilitismo - tomem lá uma casa e agora reclamem que tem pouca memória RAM. #
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