Nos meus anos de juventude, que ainda não passaram assim há tanto tempo, tive algumas namoradas que viviam longe e outras que tinham de ir para longe de tempos em tempos. Eu, jovem aventureiro e romântico q.b., pegava na mochila e metia-me a caminho. De comboio, de carro, à boleia, a pé... conseguia sempre juntar-me a essas paixões juvenis, mesmo que por breves períodos de tempo, mas que, na altura, valiam a pena todo o trabalho. Eram momentos para matar saudades, conversar e namorar um bocadinho. #
Nos dias de hoje, o longe já não existe. Já poucos se dão ao esforço de se deslocar até perto dos amantes, porque todos estão à (pouca) distância de um número de telefone ou de um nick na Internet ou mesmo de um e-mail. As distâncias já não são o que eram e a saudade também não. #
O romantismo de aparecer sem pré-aviso; a aventura de nos deslocarmos, muitas vezes sem sabermos sequer, como ou para onde vamos; o mistério da recepção ou da situação que iremos encontrar, todos foram substituídos pela certeza de que qualquer pessoa está, hoje, no outro lado de um qualquer aparelho com som e imagem. Mas não é preciso dramatismo nesta análise, não vejo com maus olhos esta mudança proporcionada pela tecnologia, afinal existem lacunas e a maior é não haver (ainda) nenhum instrumento que proporcione contacto físico, e este factor, é a grande garantia da continuação da aventura. Perde-se alguma coisa no romantismo, talvez um pedacinho de mistério, mas reconheço que se tivesse tido alguma da actual tecnologia nos meus tempos de deambulante teria encontrado muito mais caminhos, teria chegado a mais sítios e teria, talvez, chegado a tempo. Claro que não teria conhecido outros caminhos, outras pessoas, feito o meu próprio tempo... mas como tudo, a tecnologia tem 2 lados, o bom e um outro bom. #
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