O fim dos dias
Publicado em 13. Jun, 2009 em Preso na Rede
Vivemos tempos dificeis e nem sequer estou a falar da economia, que não percebo nada. Falo de tecnologia e da dificuldade de termos um sem número de linguagens diferentes, que aprendemos e processamos para nos “desenrascarmos” no dia a dia. Toda uma panoplia de instrumentos inventados para nos facilitar a vida, que 20 anos de escola não nos preparam para os entender. Especializamo-nos numa qualquer área e tentamos acompanhar as funções de todos os botõezinhos em que temos de carregar. Nos outros aparelhos, sabemos para que serve um “play” e um “stop”.
Mas quando falo nas diversas linguagens a que estamos sujeitos, não me limito aos aparelhinhos que temos em casa, no trabalho ou que passeiam connosco na rua, falo também da nossa actual situação social. À semelhança dos aparelhos, a nossa vida também tem muitos botões e um número considerável de funções e, se no passado, já tinhamos o que fazer com máscaras sociais, que colocávamos nos vários contextos da nossa vida, hoje temos toda uma existência virtual, onde o teatro social muda completamente.
Representamos papéis diferentes de acordo com a situação em que estamos ou das pessoas com quem falamos, mas haviam sempre algumas constantes e estávamos dependentes do tempo e do espaço. Com a Internet essas limitações deixaram de existir e podemos “ser” quem ou o que quisermos, até dentro do mesmo periodo espaço-temporal.
É preciso cuidado? Claro que sim, predadores existem em todo o lado. Mas esse facto também nos dá alguma liberdade de sonhar e representar o que não ousamos na nossa vida mais convencional. Podemos ser o cavaleiro ou a princesa com que sonhámos em crianças e se clicarmos nos botões certos podemos até ser um vilão, sem prejudicar ninguém. É o fim da monarquia, reis somos todos, só que em alturas e meios diferentes.
Partilhar




