Nestes últimos dias fala-se muito do encerramento ou bloqueio de sites incentivadores da pirataria. Mas o que é um incentivo à pirataria? Eu, se indicar a um ladrão que me interpele no meio da rua, a morada correcta de um banco, estarei a incentivar o seu assalto? Se este jornal mencionar, numa das suas folhas, que a feira mensal de Azeitão tem por lá uns senhores que vendem material contrafeito, estará a incentivar a sua compra? Você, que lê estas linhas e acabou de saber que na feira de Azeitão existem uns vendedores que vendem gato por lebre, ao comentar a sua nova descoberta com vários amigos no café, acha que é, no seu acto inocente, mas deliberado, um malicioso incentivador dos mal intencionados das feiras deste país? Pois se não acha, tudo parece indicar que está errado! #
Eu gosto dos autores, são uns tipos porreiros, cheios de ideias e proporcionam muitas horas de distração. Acho que devem receber os frutos do seu trabalho e tenho pena que a parte de leão do que pagamos por qualquer obra não lhes seja destinado, ficando nas mãos de uma qualquer editora. Mas a notificação da IGAC à PT, para bloquear alguns sites, não tem grande impacto no mundo virtual ou na vida dos autores. O bloqueio funciona apenas para os clientes da PT, não afecta os netnautas de outras operadoras. Os sites que têm o material pirata continuam a funcionar, só os que informam onde eles estão é que são bloqueados. E é muito fácil arranjar um novo site com o mesmo objectivo. #
Se os autores não são devidamente compensados e o bloqueio não funciona, talvez a solução seja um novo modelo de negócio baseado na Internet que benificie a todos. A todos? Não! As editoras estão atentas e lutam contra qualquer potencial redução nos seus ganhos. #
Vivemos tempos complicados. O óbvio já não é absoluto e a constatação disso é totalmente abstrata. #
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