O gajo dos bonecos
Publicado em 19. Set, 2009 em Preso na Rede
Andava eu a passear pela Internet - sim, porque ninguém pode perceber um bocadinho de Internet sem andar por lá - quando uma oferta de emprego me chamou a atenção. Não estou a precisar de emprego, já tenho trabalho até demais, mas fico sempre curioso em conhecer o que se passa no mercado de trabalho, em áreas que me dizem respeito. Mas continuando, uma oferta de emprego chamou-me a atenção, uma empresa precisa de um webdesigner. Uma empresa que até está bem posicionada neste tipo de mercado e que pretende recrutar alguém com um perfil onde se inclui isto: “Domínio das tecnologias: HTML, CSS e Flash” e “Forte conhecimento das aplicações: Photoshop, Fireworks e Dreamweaver”, entre outras coisas. Mas são estes dois pontos que me chamaram a atenção.
Um designer, seja de equipamento, gráfico, comunicação, web, etc., é alguém preparado para trabalhar imagem, criar uma distinção de um bem ou serviço em relação a todos os outros através da sua aparência (do produto e não do designer). Ora, no referido anúncio de emprego, desta não-tão-modesta empresa, o destaque vai para quem domine as linguagens de programação e depois, só depois, pedem conhecimentos das aplicações para trabalhar a imagem.
Eu já ando nisto há algum tempo e sei, por experiência própria, que a maioria das pessoas ainda não percebe bem o que raio é um designer (além da estereotipada definição de alguém que faz uns bonecos), mas confundir o trabalho intimamente ligado à psicologia visual, que faz alguém preferir um site porque além de mais bonito, é mais funcional e quase inconscientemente induz interacção, com outro profissional, também especializado, mas cuja função é escrever código para que o site funcione, é como chamar arquitecto a um engenheiro.
Eu sei que estamos no pais do desenrascanso, mas sejamos sérios.
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