Memes são ideias, material incorpóreo que se propaga. Um termo criado por Richard Dawkins em 1976 no seu livro “O Gene Egoísta”, que descreve uma ideia que se espalha como um vírus. #
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Existem viroses que se apoderam de cérebros pouco desenvolvidos, como os de insectos, que os induzem a exporem-se como presas, para utilizarem o organismo do predador como área de reprodução e desenvolvimento. Quase como o pólen que se agarra ao corpo de abelhas para se espalhar por outras plantas, os vírus utilizam os insectos para se espalharem de uma forma mais activa e sinistra. O vírus da raiva, sensível à água, induz medo ao líquido nos infectados, humanos incluídos. #
Mas o nosso cérebro complexo ainda é difícil de manipular desta forma, razão por não haver parasitas que optem pela utilização deste sistema na nossa raça. Mas existem outras formas de infecção mais apropriadas a um cérebro grande e complexo como o nosso. São ideias, e não vermes, que nos influenciam. #
Se imaginarmos, por instantes, que a história da evolução humana corresponde a uma forma natural de disseminar ideias, podemos considerar que a Internet é uma rede mundial de contágio neurológico. Estamos longe do nosso pressuposto imperativo biológico de manter a vida e somos a única espécie que fugiu do seu propósito natural de reprodução, como subordinação aos interesses genéticos, para uma existência mais dedicada a manter ideias. Somos tão prolíferos nesta tarefa que criámos uma rede neural artificial para infectar o mundo inteiro com um clique. #
Tudo funciona exactamente como no mundo biológico. Existem ideias boas, ideias más, tóxicas ou benignas, hospedeiros receptíveis e outros imunes. Temos inclusive antibióticos e vacinas. E se a Internet é um desenvolvimento natural da vida e do grande plano que talvez exista? #
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