Organizados, só os preguiçosos.
Publicado em 16. Jul, 2010 em Preso na Rede
Há alguns dias atrás a comunicação social pegou num assunto que afecta directamente as redes de comunicação digitais: os boatos acerca das alegadas dificuldades financeiras que o Banco Millennium BCP estaria a atravessar, espalharam-se pela Internet e telemóveis. Para além de desmentir este boato, o gabinete de comunicação do banco especulou acerca da “forma organizada” que todo o processo assumiu, dando a entender que seria um plano orquestrado contra a instituição. Não sei se foi um boato organizado, se foi simples coscuvilhice ou um plano elaborado, mas a “organização” da coisa chamou-me a atenção.
As redes sociais têm sempre algum tipo de organização, mesmo que pareça incoerente, e a comunicação digital conta com o factor velocidade para evoluir, o que faz com que mesmo um canal não mediado tenha alguma forma de auto-organização, transformando um grupo caótico de utilizadores em algo coordenado sem existir um modelo formatado. O que estes grupos cooperativos fazem é substituir o planeamento por coordenação, eliminando aquilo a que podemos chamar de “organização institucional”. Um bom exemplo é o uso de telemóveis: “quando chegar ligo-te!”.
No mundo natural não se planeia com antecedência, cria-se o caminho mais curto e/ou de menor resistência. Blogues e redes sociais têm esta coordenação quase biológica, com a criação de links através da rede para aquilo que se pensa ir interessar ao próximo visitante, a troca de ideias e opiniões leva a mensagem adiante criando uma rede que aparenta organização.





