Chegamos a mais um Verão e com ele vem aquela altura em que devemos descansar das amarguras do resto do ano. As amarguras que nos chegam especialmente do emprego e da sua rotina associada. Como tivemos alguns bons anos nas últimas três décadas, com muito “crédito fácil” e muitas oportunidades de conseguir “facilmente” todo um rol de coisas que nos melhorou o nível de vida - digo isto porque vi na televisão (e como todos sabem, se é dito na caixinha magica, só pode ser verdade), pessoalmente fartei-me de trabalhar para conseguir qualquer dessas coisinhas e algumas “facilidades”, mas isto não interessa, o que é importante é que se acabou o acesso ao “fácil”. #
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A partir de agora vai ser tudo difícil, portanto aproveite este ano como o fim de uma época e vá onde nunca foi, compre o último modelo de computador (escolha um tablet como o IPad, outros modelos deixarão de ser cool brevemente) ou de smartphone, cheio de widgets que o transformam numa bimby e, principalmente, reserve alguma liquidez para pagar a mensalidade da Internet. Num último (e desesperado) acto de tentar escapar à pobreza iminente, enviar um e-mail ao serviço de solidariedade social mais próximo, em lugar de se apresentar pessoalmente, sempre lhe dá o estatuto de novo pobre e aqui a palavra novo faz toda a diferença. #
Na verdade, vamos estando (quase) todos mais pobres e com os preços a subir, especialmente os do combustível, as viagens serão cada vez mais raras e o dinheiro que guardou para a ligação à Internet será a sua única oportunidade de ver o mundo e contactar com outras culturas. O mundo está a tornar-se cada vez mais virtual, primeiro porque a tecnologia o permitia, agora porque a sociedade capitalista obriga. O novo pobre já é o especialista na rede, de lá tira tudo o que pode e a cultura não é alimento de se desprezar. #
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